John Torres, Khavn de la Cruz e o Novo Cinema Filipino 14/07/2010

Começo o post com a grande notícia do dia:

hoje, às 19h, teremos a sessão Novo Cinema Filipino (com curtas de Raya Martin e John Torres, e um média de Lav Diaz), seguida de conversa com o próprio John.

É uma ocasião realmente imperdível, pois John não apenas falará de seus filmes, como poderá explicar melhor todo o novo cinema filipino, a relação deles com a indústria do país, a influência dos cineastas clássicos e mesmo a relação de amizade que ele tem com Lav, Raya, Khavn e o restante do “movimento” do cinema filipino independente que estamos exibindo na mostra e tanto nos encanta.

Para celebrar esse dia no Brasil, uma feliz coincidência marca a ocasião. Hoje, nesse mesmo dia 14, Khavn de la Cruz está lançando nas Filipinas o livro “This is not a Film Movement”, que reúne perfis e conversas com todos os novos cineastas independentes representados na mostra – e mais alguns -, dedicados a dissecar o que é, como se faz e o que representa esse dito “movimento cinematográfico”.

Abaixo, segue a promo, em vídeo, do livro:

This is not a Film Movement

Para quem quiser saber mais sobre tudo isso, reiteramos aqui a dica: é só perguntar para John Torres.

Dito isso, nos vemos lá!

Leonardo Levis

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debate: filipinas, cinema independente 10/07/2010

Na última quinta-feira aconteceu o debate “A história e a estética do cinema filipino (um diálogo possível com o cinema brasileiro?)”, no Rio, com as presenças do diretor Felipe Bragança (presente em Cannes esse ano, na mostra “Quinzena dos Realizadores”, com o filme “A Alegria”), com o pesquisador e crítico Júlio Bezerra, e com Fernando Chiappussi, um dos programadores do Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires – BAFICI.

O debate foi muito interessante, ajudando a contextualizar e mapear esse cinema filipino, e buscando pontes, diferenças e semelhanças com o cinema brasileiro. Gostaria de destacar alguns pontos da conversa.

Fernando nos contou como o BAFICI chegou nessa cinematografia filipina. O festival de Buenos Aires foi um dos primeiros a “perceber” esse novo cinema, sendo um dos grandes impulsionadores mundiais. Em 2005, o festival exibiu “Masahista”, primeiro longa de Brillante Mendoza. O filme foi muito bem recebido, chamando atenção para este diretor e para o cinema filipino em geral. Frequentando os festivais mundiais que estão alertas na nova cena independente – Fernando citou o Festival de Roterdã e o Festival de Cannes – os programadores do BAFICI cada vez se encantavam mais com este cinema filipino, percebendo um algo a mais naquelas imagens, diferente do que se notava, até então, na filmografia asiática (para a qual o BAFICI sempre esteve dedicado).

Em 2007, então, Fernando capitaneou uma retrospectiva de Raya Martin, que tinha apenas 23 anos naquela altura. Ainda assim, já era digno de ver sua obra em conjunto. Republico aqui, para maior compreensão, o texto de abertura do catálogo do BAFICI, no qual Fernando apresenta a mostra de Raya Martin:

La elección de los directores “en foco” en un festival no responde sólo a la intención de los organizadores. Así como hay nombres pensados de antemano, los admirados (y generalmente poco accesibles), también hay felices casualidades: una película extraña que despierta curiosidad por un realizador desconocido, a veces aún en formación.

Tal es el caso de un extraño largometraje de ¿ficción? llamado A Short Film about the Indio
Nacional. Este ovni filipino viene despertando controversias entre críticos y programadores desde su aterrizaje en la edición 2006 del Festival de Rotterdam; concretamente, despierta admiración o hastío según el espectador (o crítico, o programador). En fin, el tipo de reacción auspiciosa para una película del Bafici. Su director, Raya Martin, nació en 1984 en Manila y sólo había dirigido un documental y algunos cortos antes de esta película. Mientras lo invitábamos, se supo que Martin tenía un nuevo largo, Autohystoria, cuya première iba a tener lugar en la nueva edición de Rotterdam. De ahí al foco había un solo paso.

En el circuito de festivales se habla bastante del cine filipino; el de Martin es uno de los
nombres más repetidos, junto con los de Lav Diaz y Khavn de la Cruz. Los tres forman parte de una nueva avanzada en las islas, una alternativa a la industria que abraza el cine digital pero no se priva, cuando puede, de filmar en 35 milímetros (en Indio Nacional, Martin hace ambas cosas).

Los directores de la nueva generación se benefician, en términos culturales, de dos
situaciones desventajosas: el mal momento de la industria (para la cual algunos trabajan) y una conservación casi nula del pasado cinematográfico. Tienen ímpetu juvenil, los nuevos formatos les permiten independizarse del mandato comercial y están relativamente libres de los corsés culturales que agobian a sus pares del mundo desarrollado. Estos realizadores no parecen pensarse en términos de una “carrera”, aunque no son precisamente iletrados. Martin es hijo de un periodista y escribe sobre cine para algunos medios. Vio en festivales la obra de héroes indies como Maya Deren o Kenneth Anger, pero cuando alguien lo vinculó con Jack Smith, el realizador de Flaming Creatures, tras una proyección de Indio Nacional, aseguró no conocerlo; y parecía genuinamente sorprendido. Esa suerte de ingenuidad, así como su disposición para adoptar recursos poco convencionales, es una de sus mejores armas, en un momento en que el cine occidental parece autoconsciente y encerrado en fórmulas.

J
ulio Bezerra aprofundou a análise de “Índio Nacional” fazendo um interessantíssimo paralelo. O filme é feito nos moldes do cinema mudo: além de não ter som (exceto o primeiro rolo – filmado em digital), faz uso de planos fixos e sem correção de foco, intertítulos de diálogos, entre outras características. Entretanto, “Índio Nacional” faz parte de um tempo presente, e só poderia ser compreendido hoje – Julio Bezerra fala em curto-circuito. Para esclarecer esse pensamento, comparou a um sonho que teve recentemente: estava com um amigo e ambos idealizavam a invenção do avião. E comentavam que tendo inventado o aparato, Santos Dumont nunca teria a fama que teve. Entretanto, para que esse sonho fosse “possível”, era preciso que Santos Dumont já fosse conhecido pelo seu feito na aviação, ao mesmo tempo em que ainda não poderia ter inventado o avião, já que Julio e seu amigo estavam consumando o fato. Com o filme de Raya Martin se passa algo parecido, pois ao mesmo tempo que se tem a impressão do cinema mudo, ou do “primeiro cinema”, só podemos compreendê-lo, e o filme só pode existir com a força que tem, tendo o cinema construído toda uma história. Essa relação feita sobre “Indio Nacional” pode ser também extendida – de maneira semelhante – para o cinema de Raya Martin como um todo.

Julio apresentou um panorama geral do cinema filipino, estabelecendo as pontes do cinema contemporâneo com o cinema mais antigo – clássico – recorrendo a Lino Brocka, em especial. Traçou a relação entre Brocka e Mendoza, investigando o realismo social presente em ambos. Mas lembrou que se trata de um “real não reproduzido” (e ambos se apóiam em chaves do melodrama).

Já Felipe Bragança nos contou de sua ida às Filipinas neste ano, e quais as impressões do cinema independente que lá existe.  Curioso que Felipe reconheceu uma nova geração do cinema independente, posterior a geração de Raya Martin, Khavn e John Torres (mesmo estes sendo muito novos para nossos padrões brasileiros). Segundo Felipe, a “nova geração” que desponta nas Filipinas é formada por jovens (alguns de 17 anos), que apresentam um cinema “elementar”. Geração que já vê nos nomes mais conhecidos um certo cansaço, como se aquelas imagens já estivessem assentadas e fosse necessária a busca por novas. Ao mesmo tempo, Felipe nos falou que há uma certa cena independente nas Filipinas que se auto-sustenta, com pequenos patrocinadores (supermercados, por exemplo), que isentam os realizadores da busca por incentivos públicos; segundo Felipe esses novos pequenos mecenas são oriundos da iniciativa privada.

Essa questão levantou, naturalmente, a discussão a respeito do cinema independente brasileiro. Entre muitas especulações, comentários e análises, gostaria de destacar um fato relatado por Felipe. Ele comentou que a moeda filipina é muito mais fraca do que a brasileira – como exemplo, por 150 reais ele passou 10 dias no país. Isso faz, naturalmente, com que o cinema seja também muito mais barato, e essa diferença de valor monetário é um dado importantíssimo quando se discute os modos de produção de cada país.

Para Felipe, o fato dos filipinos conseguirem, através de fundos internacionais, impulsionar todo um movimento cinematográfico passa menos pela ideia de uma filmagem rápida, do uso do digital ou de uma equipe pequena, mas principalmente por essa enorme diferença, que faz com que um aporte de 30 mil euros signifique necessariamente mais que para os brasileiros.

Para esclarecer, relato uma curiosidade ocorrida no Festival de Roterdã. Khavn de la Cruz recebeu do Hubert Bals Fund uma pequena verba para a elaboração do projeto e desenvolvimento do roteiro. Entretanto, o resultado final apresentado foi o filme pronto. Questionado,  Khavn disse que com o dinheiro conseguido já pode fazer o filme todo. Por que não?

Seja mesmo por essa razão econômica, pelos fatores de produção citados acima ou pela coincidência do surgimento de um grupo cheio de valores individuais, o fato é que o novo cinema filipino já é uma realidade, confirmada por todos na mesa.

Raphael Mesquita

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A Trilogia da Colonização de Raya Martin 09/07/2010

A história da colonização nas Filipinas é bastante única, e vale aqui ser rapidamente contada: durante 300 anos, o país pertenceu à Espanha. No fim do século XIX, os nativos entraram numa série de lutas por sua independência, conseguida apenas após a intervenção e o apoio do governo americano, que estava em guerra com o país ibérico. Esse apoio, no entanto, custou caro, e logo os americanos substituíram os espanhóis no processo colonizatório filipino, mantendo o país sob sua guarda até 1946 (com uma liberdade condicionada a partir de 1935). Durante a Segunda Guerra Mundial, o país foi rapidamente dominado pelo Japão antes de, enfim, conseguir sua legítima independência – também muito turbulenta, considerando que entre 1971 e 1986 as Filipinas existiram sob a ditadura de Ferdinand Marcos.

Bem, todo esse longo preâmbulo é para apresentar os destaque de hoje, a sessão dupla Um Pequeno Filme Sobre o Índio Nacional, às 18h, e Independência, às 20h. Ambos são provavelmente os filmes mais conhecidos de Raya Martin e fazem parte de sua trilogia sobre a colonização filipina (o terceiro episódio, sobre a ocupação japonesa, ainda não foi feito). Neles, Raya tenta recontar não a história oficial filipina, mas algumas passagens específicas, às vezes até cotidianas, que poderiam ter acontecido nesses momentos. Além disso, o cineasta faz da recriação estética um de seus maiores trunfos, seja trabalhando a forma do filme mudo do início do século (em Índio Nacional), ou a estética dos estúdios filipinos durante os anos 20 e 30 (no caso de Independência). Com isso, os filmes garantem uma grande unidade entre si, ao mesmo tempo em que permanecem como obras únicas no cinema contemporâneo.

Pela chance de entender um pouco mais da evolução da colonização filipina através da ótima muito pessoal de Raya Martin, a sessão dupla é imperdível.

Nos vemos lá!

Leonardo Levis

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Kinatay e Debate 08/07/2010

Hoje teremos dois dos eventos mais importantes da mostra aqui no Rio de Janeiro.

O primeiro é a exibição única de Kinatay, o filme mais premiado do mais consagrado diretor filipino contemporâneo, Brillante Mendoza, às 18h. Recebido com polêmica quando exibido em Cannes, em 2009, o filme acabou conquistando o prêmio de melhor  diretor no mesmo festival. A polêmica se explica: Kinatay conta uma história pesada, sem nenhuma espécie de meio-tom. Enquanto uma parcela das pessoas considera essa a única forma de escancarar uma realidade escondida das filipinas, outra justifica que tal tratamento ultrapassa os limites morais e explora de forma sensacionalista a violência.

Mendoza é, também, o cineasta cuja relação com os novos realizadores filipinos é mais tênue. Apesar de, dentro das Filipinas, Mendoza fazer um cinema pessoal e distante da indústria, mostrando as mazelas e condições do país, já há algum tempo seus filmes são produzidos com apoios internacionais fortes (o que explica, em parte, todos os três exibidos na mostra serem em 35mm). Além disso, ele não faz parte do círculo social que é uma marca desse novo cinema (do qual o fator mais contundente é a banda The Brockas, formada por, entre outros, Lav Diaz, John Torres e Khavn de la Cruz).

Esses tópicos serão discutidos logo após o filme, em nosso único debate da mostra, às 20h. Na mesa, estarão Felipe Bragança (novo realizador independente brasileiro, presente no último Festival de Cannes com A Alegria), o crítico e pesquisador Julio Bezerra (que também mantém o blog Cinekinos) e Fernando Chiappussi (programador do Festival da Cinema Independente de Buenos Aires, o BAFICI, que já há muitos anos vem exibindo a produção filipina com regularidade).

Eles tratarão não apenas de Brillante Mendoza e seu Kinatay, mas de todo o modo de produção filipino – e suas características estéticas, políticas e históricas -, e no que esse cinema pode dizer em relação ao brasileiro. Programa imperdível, afinal!

Nos vemos lá.

Leonardo Levis

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Manila 07/07/2010

No cinema filipino, dos filmes clássicos aos contemporâneos, um dos tópicos e temas mais recorrentes é a vida em Manila, capital e região mais importante do país, e cidade mais povoada do mundo. Nos filmes, Manila parece representar uma síntese de toda a vida urbana filipina: a cultura, o jeito de seus habitantes e principalmente as diversas questões sociais.

Partindo da presença inegável de Manila na história do cinema filipino, Adolfo Alix Jr. e Raya Martin – dois dos mais proeminentes jovens realizadores – tiveram a ideia de adaptar filmes clássicos passados na cidade e dirigidos por Lino Brocka e Ishmael Bernal – os dois mais importantes cineastas da década de 70 e 80 – para os dias atuais. Assim nasceu Manila, filme em duas partes, cada uma dirigida por um realizador, que atualiza as histórias de Manila by night (dirigido por Ishmael Bernal) e Jaguar (dirigido por Lino Brocka).

Hoje, na mostra, programamos uma sessão tripla, iniciada pelo já citado Manila by night, às 15h, seguida por Manila nas garras de neon, de Lino Brocka (outro clássico, também passado em Manila), às 18h, e finalizada pelo Manila de Raya e Adolfo Alix, às 20h30. Assim, o espectador consegue não apenas perceber a visão de cada realizador sobre a cidade, mas o modo como ela cresceu e se modificou ao longo dos anos, e mesmo a influência – aqui explícita – de Bernal e Brocka sobre a nova geração.

Dessa forma, é criado esse vínculo indissociável, no qual acompanhar a evolução de uma cidade nos últimos 35 anos também é acompanhar o desenrolar de um cinema nesse mesmo período.

A todos, boas sessões!

Leonardo Levis

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Os Refrões de John Torres 06/07/2010

Destacamos em nossa programação hoje a exibição de Refrões acontecem como revoluções numa canção, de John Torres, que será exibido às 20h.

Apesar de menos conhecido que compatriotas como Brillante Mendoza, Lav Diaz e Raya Martin, Torres tem um cinema personalíssimo, onde a estrutura ensaística de seus filmes está sempre relacionada a uma profunda entrega emocional.

Seus filmes são densos e exigem também uma profunda entrega do espectador, mas a recompensa é enorme. Em Refrões…, Torres mistura a história do país (ou melhor, suas lendas, mitos e canções) a vozes em off, textos expostos na tela e planos onde a estrutura documental e a fictícia se confundem. Além disso, ele narra o filme numa linguagem inventada, na qual os sons tomam o significado da palavra.

Mas, por trás dessa série de camadas – que no início podem parecer impenetráveis, mas se sobrepoem com enorme fluidez – seu filme está sempre à procura do mais simples elemento. Como já escreveu Oggs Cruz (crítico filipino presente em nosso catálogo), o cinema de John Torres é, acima de tudo, sobre o amor e suas possibilidades.

Por fim, John Torres estará aqui na mostra para conversar com o público não apenas sobre seu cinema, mas representando todo o conjunto de cineastas independentes filipinos contemporâneos. Ele estará no lugar de Lav Diaz – que, por problemas de saúde da mulher, infelizmente não poderá vir -, após a sessão Novo Cinema Filipino, na quarta, 14 de julho, às 19h.

Contamos com todos hoje na sessão, e no dia 14 na conversa!

Leonardo Levis

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manila by night + serbis 04/07/2010

O destaque do dia de hoje é para a dupla de filmes “Manila by Night”, de Ishmael Bernal e “Serbis”, de Brillante Mendoza.

Brillante Mendoza é assumidamente influenciado por Lino Brocka. Essa influência é evidente em seus filmes, em que aproveita e leva ao extremo o realismo social presente em Brocka. Entretanto, propomos aqui uma outra relação: um claro diálogo entre “Manila by Night” e “Serbis”. Bernal apresenta um panorama soturno e crítico da cidade de Manila nos fins dos anos 70. Sua crítica rendeu problemas junto ao governo de Ferdinand Marcos e o filme, censurado, teve que mudar de nome (ganhando o título de “City After Dark”). Em “Serbis”, Brillante Mendoza repete o uso de vários protagonistas (também presente em “Manila”), fazendo do cinema em que se passa toda a trama um espaço representativo da Manila contemporânea.

Em última instância, ambos os filmes estão pensando o indíviduo inserido no espaço em que habita e as relações físicas e corpóreas estabelecidas no (e com) o ambiente. “Serbis”, assim como foi “Manila by Night”, problematiza esse espaço, a política e a cultura filipina, sem apontar culpados – apenas explicita o estatuto social atual.

Boas sessões!

Raphael Mesquita

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Raya Martin + Adolfo Alix Jr. 03/07/2010

O dia de hoje promete uma ligação entre os três filmes exibidos. Abrimos o dia com a sessão de “Adela”, de Adolfo Alix Jr. O filme que foi muito bem recebido em São Paulo, mostra a veia poética do realizador, que frequentemente flerta com um cinema mais comercial. Em seguida, vemos Raya Martin em uma de suas obras mais radicais: “Um pequeno filme sobre o Índio Nacional” é a primeira parte de sua trilogia sobre a independência. E para finalizar o dia, propomos “Manila”, filme dividido em duas partes, realizadas por Adolfo Alix e Raya Martin. Trata-se de uma homenagem a dois grandes realizadores filipinos, Lino Brocka e Ishmael Bernal. “Manila” é inspirado nos filmes “Jaguar”, de Brocka, e “Manila by Night” (em exibição na mostra), de Bernal.

O dia promete, portanto, uma investida no cinema contemporâneo, em duas frentes distintas, ao mesmo tempo em que mantém a ponte do passado cinematográfico filipino – uma das propostas de curadoria da mostra.

Boas sessões!

Raphael Mesquita

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Melancolia, Lav Diaz (vídeo) 02/07/2010

melancholia_lavdiaz

Já exibido em São Paulo e no Rio, e com 2 exibições previstas para Brasília, o filme Melancolia encantou boa parte dos espectadores. Lav Diaz faz uma belíssima reflexão sobre o movimento de guerrilha nas Filipinas na década de 90, com enfoque especial aos desaparecidos políticos.

Decidi postar aqui alguns poucos minutos bem emblemáticos do filme (escolha dificílima, considerando as quase 8 horas de filme). Trata-se de uma sequencia bastante simples, mas que carrega consigo a profundidade e sutileza com que Lav aborda o tema.

Apenas um gostinho dessa grande obra.

A música é de autoria do próprio Lav Diaz.  Como as legendas estão em italiano, posto aqui a tradução para o português:

O ar é gelado
O coração é frio
O céu é frágil
A melodia desfalece
Estou à sua procura
À sua procura estou
À sua procura

Quando chega a noite
E o calor se dissipa
O momento a isso se agarra
E não se afasta da mente
E quando a chegada
Do pesar se anuncia
Trazido pela fraqueza
Ficará ao meu lado
Uma lembrança
Da sua permanência

O ar é gelado
O coração é frio
O céu é frágil
A melodia desfalece
Por você eu espero
Eu espero e espero

Quando a escuridão envolve
Quando as ruas se acalmam
Eu volto os meus olhos
Para as portas da saudade
E quando a chegada
Do pesar se anuncia
Trazido pela fraqueza
Eu sempre me lembrarei
Da razão de sua partida

O ar é gelado
O coração é frio
O céu é frágil
A melodia desfalece
Estou à sua procura
À sua procura estou
À sua procura

Raphael Mesquita

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Pesadelo Perfumado hoje no CCBB-RJ 01/07/2010

Hoje, às 19h, teremos uma das sessões mais aguardadas da mostra: a exibição de Pesadelo Perfumado, seguida de conversa com o diretor!

Aqui, cabe uma introdução: Pesadelo Perfumado foi o primeiro filme filipino a ser premiado internacionalmente, conquistando o Prêmio da Crítica do Festival de Berlim de 1977. Com isso, o filme abriu as portas dos festivais internacionais para nomes como Lino Brocka, Ishmael Bernal e Mike de Leon, que já produziam, mas repercutiam apenas dentro do país.

Pesadelo Perfumado também marcou o início da produção totalmente independente nas Filipinas, sendo produzido com fundos do próprio realizador e feito com apenas 10 mil dólares. Esse modo de produção artesanal e autoral pode ser sentido em todos os novos realizadores, de Raya Martin a John Torres, passando por Lav Diaz. A produção do filme também guarda uma série de histórias curiosas, que certamente serão ouvidas hoje à noite.

Pesadelo Perfumado é, acima de tudo, um belo filme, no qual a falta de recursos financeiros se transforma em estilo e força política, e no qual a crítica à dominação imperialista é sempre feita com um humor ao mesmo tempo ingênuo e ferino.

Por fim, a conversa com o diretor não é apenas uma conversa: após a sessão, Kidlat, com quase 70 anos, faz uma performance – diferente a cada apresentação -, dialogando com as questões levantadas pelo filme e com o conceito de cinema independente nas Filipinas. Quem esteve em São Paulo, sabe que vale a pena. E mais não revelo para não estragar a surpresa.

Assim, fica a dica, e nos vemos lá!

Leonardo Levis

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